Cruz das Almas, na Bahia, entrou para o circuito dos festejos juninos por causa de uma tradição que, ao mesmo tempo em que chama a atenção pela beleza e plasticidade, divide opiniões e fomenta polêmicas. As famosas espadas de São João acabaram virando um espetáculo que atrai turistas de todas as partes do país. E se por um lado abrilhantam a festa, também podem causar graves acidentes.
Reza a lenda que as espadas de São João eram usadas como armas, na forma de busca-pés. No passado, grupos rivais, capitaneados por cidadãos mais influente ou de maior poder aquisitivo, mediam forças e resolviam suas diferenças com os artefatos. Para fabricar uma espada, são utilizados materiais como salitre, enxofre, carvão de guaraná, pólvora, barro, bambu maduro, sisal, cordão, breu, parafina, cera de abelha e óleo de coco.
A mistura é altamente explosiva e perigosa. Devido a sua potência, as espadas podem deixar marcas irreparáveis. Todos os anos, por imprudência ou imperícia, são registrados casos graves de queimaduras. Atualmente, as espadas de São João só podem ser queimadas em uma área limitada no centro de Cruz das Almas.