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O São João de Dominguinhos
Por Ailton Magioli
É sempre assim. O São João de Dominguinhos dura o ano todo, independentemente da data (24 de junho) dedicada ao santo, praticamente padroeiro do forró. Literalmente na estrada (ele não gosta de avião), acompanhado de banda e da inseparável sanfona, o cantor, compositor e instrumentista desembarca em Belo Horizonte para animar a festa julina do Clube Campestre, regada a clássicos do gênero. “O repertório é sempre o mesmo”, diverte-se Dominguinhos, que, aos 16 anos, foi apresentado ao meio pelo padrinho Luiz Gonzaga.
“Ele me botou para tocar na gravação de Forró no escuro”, recorda o pernambucano. Foi durante entrevista para a revista Radiolândia que Lua aproveitou para apresentá-lo ao Brasil. “Este cabra da peste é o meu herdeiro artístico”, teria dito Luiz Gonzaga. “E não saí mais de perto dele”, acrescenta. A partir de então, passou e viajar com o padrinho, tocando e dirigindo o carro pra ele. A apresentação do mestre ao discípulo aconteceu na porta do Hotel Tavares Correia, na Garanhuns (PE) natal, em pleno 1948, quando Dominguinhos tinha apenas 7 anos.
“Eu o conheci sem saber quem era”, recorda. Ele tinha ido tocar pandeiro com os irmãos Moraes (sanfona) e Valdomiro (malê, espécie de zabumba) para o cidadão, que acabou lhe dando um “belo dinheiro”, além de uma recomendação: “Se um dia penderem para o Rio, me procurem que vou ajudá-los”. “Tocávamos só choro, marcha, samba e frevo. Naquele tempo, ninguém tocava baião”, conta Dominguinhos, que formava com os irmãos o grupo Os Três Pinguins. Filhos de Francisco Domingos da Silva, o mestre Chicão, os meninos tocavam de portas de hoteis e feiras, antes de embarcarem para a viagem de 11 dias, a bordo de um pau-de-arara, em 1954, com destino ao Rio.
Meio século De Nilópolis, onde se instalaram, já no dia seguinte partiram para a Praça Maria da Graça, no Méier, onde Luiz Gonzaga deu boas vindas à família, entregando ao mestre Chicão a sanfona de 80 baixos, com a qual o futuro discípulo iria praticar. “Fiquei só pescando, me criei ali com ele”, recorda Dominguinhos, cuja trajetória artística contabiliza meio século, com mais de 70 discos gravados.
Alvo de variadas homenagens no momento, além do CD/DVD O iluminado, gravado com a participação especial de Gilberto Gil , Yamandú Costa e Elba Ramalho, e de inúmeros instrumentistas, ele grava o documentário Dominguinhos volta e meia, com direção de Felipe Briso e produção da cantora Mariana Aydar. Depois de O milagre de Santa Luzia, de Sergio Rosemblit, o cantor gravou outro filme do gênero. Trata-se do ainda inédito O São João de Dominguinhos, de Wagner Malagrini e Maurício Machado. Ausente do São João de Caruaru pela primeira vez, Dominguinhos diz que não vai por questões políticas. “Não sabia que podia ser perseguido politicamente”, lamenta o eleitor assumido do PSDB, lembrando que o poder, no Brasil e em Pernambuco, hoje, está nas mãos do PT.
Entrevista: Dominguinhos Lenha na fogueira
O que não pode faltar no São João? Sanfona, zabumba e triângulo. Se não tiver percussão, fica uma música falsa.
Parceiro(a) ideal na dança? As quadrilhas hoje são muito longas. Nunca mais toquei em uma, prefiro os shows. Elas se tornaram ricas e competitivas como as escolas de samba. As moças já não se vestem mais de chita, enriqueceram. Mas já toquei muito em quadrilha de pobre.
O que é a quadrilha? Se prestar atenção, é um verdadeiro balé. Há saltos maravilhosos, como o momento da chuva. É preciso prestar atenção no marcador. O importante, no entanto, é a simplicidade.
Quem foi o autor que mais incrementou o São João? Luiz Gonzaga, o meu mestre, além de Lamartine Babo, que foi grande em tudo que fez. O Mário Zan também se aliou muito bem às coisas da roça.
Qual a melhor trilha sonora para a festa? Geralmente, as marchinhas, legados da época de colégio. Mas há clássicos como Pula a fogueira, de Getúlio Marinho e João B. Filho, e Olha pro céu, de Luiz Gonzaga e José Fernandes.
Quem são “os” sanfoneiros? Antenógenes Silva, de São Paulo, que não cheguei a conhecer, além de Mario Zan, Carlinhos Mafasoli e Caçulinha.
No repertório de hoje . Aconchego, Dominguinhos e Nando Cordel . Chorinho pro miudinho, Dominguinhos . Saxofone por que choras, Ratinho (Severino Rangel de Carvalho) . Gostoso demais, Dominguinhos e Nando Cordel; Estrada do Canindé, Luís Gonzaga e Humberto Teixeira; e Numa sala de reboco, Luiz Gonzaga e Zé Marcolino . Lamento sertanejo, Dominguinhos e Gilberto Gil . Tudo azul, Orlando Silveira e Esmeraldino Sales . Lamentos, Pixinguinha . João e Maria, Sivuca e Chico Buarque de Holanda . Pot-pourri: Xote das meninas, Luiz Gonzaga e Zé Dantas; Eu só quero um xodó, de Anastácia e Dominguinhos; e Anjo querubim, Petrúcio Amorim . Baião n° 1, Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira; Sanfona sentida, Dominguinhos e Anastácia; Hora do adeus, Onildo Almeida e Luiz Queiroga; Canta Luiz, Dominguinhos e Oliveira; e Forró no escuro, Luiz Gonzaga . Olha aí, Toco Lamare . Tico-tico no fubá, Zequinha de Abreu . Cochichando, Pixinguinha, João de Barros e Alberto Ribeiro . Sebastiana, Rosil Cavalcante; e A ema gemeu, João do Vale e Alventino Cavalcante . As pedras que cantam, Dominguinhos e Fausto Nilo; e Isso aqui tá bom demais, Dominguinhos e Nando
A banda do show » Erivaldo Junio Alves de Oliveira (acordeom) »Flavio Lima da Silva (triângulo) »Francisco de Maria Medori Jr. (bateria) »João Magalhães Neto (guitarra) »Eraldo Trajano da Silva (baixo) »Fabio Freire Miguel (zabumba) »Geraldo Santana de Almeida (agogô)
Outras Julinas Hoje, amanhã e domingo, 19h Praça da Estação, Centro Concurso Municipal de Quadrilhas – Grupo A Entrada franca
Amanhã, 23h . 9ª Festa Junina do Crube Chalezinho Com shows do Trio Ternura e do duo Re-Construction, com house dos veteranos Siman e Vinicius Amaral, além da dupla André & Marcílio. No Clube Chalezinho, Alameda da Serra, 18, Nova Lima, (31) 3286-3155. Ingressos: R$ 105 (fem) e R$ 150 (masc). À venda nas lojas Farm do Diamond Mall, (31) 3330-8813; e Pátio Savassi, (31) 3288-3910.
Arraiá do Campestre Hoje, a partir das 19h, no Clube Campestre, BR-040, Km 443, Condomínio Serra del Rei, Nova Lima. Com barracas, comidas típicas, quadrilha e atrações circenses, além de shows de Zé da Guiomar, do DJ Paulinho, de João Kazak e de Dominguinhos. Ingressos: 2º lote: R$ 70, à venda na secretaria do clube e no Néctar da Serra (Unidade da Av. Bandeirantes, 1.839, Mangabeiras). Informações: (31) 3581-1100.
in Uai / Online, 08.07.2011
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